2.8.17

Avô Xitó... (no mato moçambicano)

Avô Xitó
sábio, sereno,
c’o seu cachimbo
olhava em volta, o terreno…

Tudo isto aqui,
e dali ao sopé,
hoje, é meu,
amanhã, é do Gizé!

Nós, pequenitos,
à volta da fogueira,
ouvíamos o velho Xitó,
com atenção verdadeira.

Quem tivesse
problema a resolver,
só o fazia
depois de Xitó dizer…

Olhem p’r ali mininos,
quantas estrelas tem o céu?
São muitas, avô Xitó,
mais de mil, creio eu…

Tens razão, farrusco,
são mil, mil vezes contadas,
mas, cada uma delas,
é casa de Deus, suas moradas.

Avô Xitó,
vai para lá quando morrer?
Vou sim, meu neto,
mas depois, volto a nascer.

E a pequenada
ficava extasiada,
por saber que Xitó,
voltaria noutra jornada.

Pronto, mininos,
é hora de nanar,
mas, não se esqueçam
de primeiro a Deus falar.

Um dia, Xitó partiu,
para uma das estrelas de Deus,
e eu, quase podia jurar,
que o vi a dizer adeus…

Fiquei com saudade,
mas feliz, por saber,
que Xitó, meu avô,
um dia voltaria a nascer.

Poeta alegre 

Psicografia de JC, na reunião mediúnica do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, Portugal, em 1 de Agosto de 2017

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